Roglic venceu a Volta a Catalunya com um ataque em Montjuïc a mais de 20 km da linha de chegada, ao qual Ayuso (2º) não conseguiu responder. Enric Mas completou o pódio.
O termo “pancartazo” tem acompanhado a trajetória de Roglic ao longo da sua carreira. O ciclista esloveno sempre se destacou em situações em que lançar um ataque bem próximo da meta – com a “pancarta” à mostra – era a estratégia para acumular vitórias e ganhar preciosos segundos de bonificação.
Esses segundos pareciam ser decisivos para definir o campeão da Volta a Catalunya neste ano, mas Roglic não estava disposto a seguir esse caminho.
Sempre que necessário, ele demonstrou uma postura ofensiva sem igual – como ficou claro em suas façanhas em Lagos de Covadonga e na subida do Angliru, onde avançou sem olhar para trás em um contra-relógio, com seu então companheiro Jonas Vingegaard na roda.
Neste domingo, na definição da etapa catalã, o ciclista do Red Bull Bora mostrou que, aos 35 anos, continua tão competitivo quanto sempre e com uma fome insaciável de vitórias.
Impulsionado por seu espírito inconformista, outra de suas inúmeras virtudes, Roglic atacou a mais de 20 km da chegada, mesmo com duas subidas em Montjuïc ainda pela frente, e deixou Ayuso (2º e conquistando seu primeiro pódio na classificação geral desta corrida) sem alternativas para defender a vantagem de dois segundos com que iniciou o dia contra o esloveno.
“Fui duas vezes o segundo aqui (em Barcelona). Queria vencer. Não sou um sprinter e não queria decidir a corrida em poucos segundos. Lutei até a última etapa. Aproveitei o clima e o grande apoio do público. Não consegui conquistar o segundo bônus, então pensei: ‘se quero ganhar, preciso fazer algo’. As pernas falaram. Não tive a sensação ideal, custou, mas foi uma luta acirrada. Aproveitei muito esta semana e me diverti aqui. Nem sabia exatamente como seria a prova. Minhas pernas estão prontas, eu estou pronto. Agora, umas pequenas férias para me preparar para o Giro d'Italia”.
Declarou Roglic após concluir sua investida solo, virar a classificação geral no último dia, ser proclamado campeão da Volta a Catalunya pela segunda vez e atingir 91 vitórias como profissional – um verdadeiro combo completo.
A etapa teve apenas 88,2 km – a segunda mais curta da Volta a Catalunya em 25 anos (descontando o percalço do último sábado). Em tão breve percurso, seria decidido o campeão da rodada catalã, um trajeto que garantiu tensão, estresse e emoção do início ao fim. De fato, antes dos seis lances pelo icônico Castelo de Montjuïc, que marcaram o desfecho da corrida, dois pontos de sprint intermediário – bonificados em Viladecans e Barcelona – poderiam ser tão ou mais decisivos que a própria subida. “O primeiro bonificado definirá a tática a seguir”, explicou Ayuso nos minutos que antecederam a largada.
A estratégia era clara. Se conseguissem superar Roglic no primeiro sprint, o UAE tentaria permitir que um escapado se distanciasse para garantir a bonificação do segundo. Caso contrário, teriam que adotar uma estratégia bem mais ofensiva.
Rapidamente, ficou evidente que a aposta seria no ataque. O Red Bull Bora controlou o ritmo até o sprint de Viladecans, onde Roglic cruzou a linha primeiro e faturou 3 segundos de bônus. Além disso, ele conseguiu posicionar seu companheiro Denz entre ele e Ayuso (3º), o que lhe permitiu assumir a liderança da classificação geral, com 1 segundo de vantagem sobre o espanhol.
🏁20km a meta. Etapa 7⃣ @BCN_esports
— Volta a Catalunya (@VoltaCatalunya) March 30, 2025
💥 @rogla es llança a l'atac a Montjuïc!
🤩Roglic @RBH_ProCycling goes solo with three laps to go!#VoltaCatalunya104 pic.twitter.com/hlEjP62RFR
Para o sprint seguinte, os papéis se inverteram: o UAE elevou o ritmo para evitar escapadas e permitir que Ayuso conquistasse o bônus. Na reta final, depois de uma arrancada interna para ganhar posições na última curva – digna de um “tudo ou nada”, à la Marc Márquez – Ayuso ultrapassou Denz (2º) e Roglic (3º), faturando os 3 segundos e deixando a classificação geral como estava no início da jornada. Conforme as subidas de Montjuïc se sucediam e os quilômetros passavam, a ausência de mudanças na liderança, mesmo diante dos ataques valentes de Carapaz e Armirail, começou a pender a favor de Ayuso.
Ainda faltavam três subidas para completar Montjuïc, mas Roglic teve clareza. Com mais de 20 km restantes, ele partiu para a ação. Mesmo com Ayuso tentando segui-lo de perto, a potência do esloveno prevaleceu. O espanhol optou por esperar seus companheiros, e, embora Soler e Adam Yates tenham tentado aproximá-lo o máximo possível de Roglic, ficou claro que o ciclista do UAE não tinha condições para responder a outros ataques dos favoritos, como os de Enric Mas (3º na geral), De Plus ou Van Eetvelt.
Falta um mês e meio para o Giro d'Italia, ao qual os dois principais favoritos – Roglic e Ayuso – chegarão após esta prova, seguidos de algumas semanas de descanso e concentrações em altitude. A Corsa Rosa pode ser uma história bem diferente, mas o primeiro golpe moral já leva a marca de Roglic. As dúvidas com que iniciou o ano, devido à sua participação discreta na Volta ao Algarve, foram definitivamente enterradas. O melhor Roglic está de volta.
Resultados da Volta a Catalunya – 7ª Etapa
- 1º – Roglic (Red Bull Bora) – 1h 58:27
- 2º – Laurens de Plus (Ineos) – por 14″
- 3º – Lennert van Eetvelt (Lotto) – tempo igual
- 34º – Ayuso (UAE) – por 19″
Classificação Geral
- 1º – Roglic (Red Bull Bora) – 24h 46:21
- 2º – Ayuso (UAE) – por 28″
- 3º – Enric Mas (Movistar) – por 53″
- 4º – Mikel Landa (Soudal) – por 54″