Fabio Jakobsen é obrigado a pausar o ciclismo por limitações nas artérias ilíacas.
Fabio Jakobsen, o velocista holandês, foi obrigado a pausar sua carreira no ciclismo por um período indefinido devido a limitações no fluxo sanguíneo das artérias ilíacas de ambas as pernas.
Em sua segunda temporada com a equipe Picnic PostNL, Jakobsen vem enfrentando dificuldades logo nas primeiras corridas do ano. Essa condição tem se tornado cada vez mais frequente entre ciclistas profissionais, com casos semelhantes ocorrendo com Shirin van Anrooij e Marianne Vos, ambas submetidas a cirurgia, além de também afetar atletas amadores.
Segundo o médico da equipe, Camiel Aldershof, exames recentes revelaram que Fabio apresenta limitação no fluxo das artérias ilíacas. “O diagnóstico é claro e, por já estar prejudicando seu desempenho nas pedaladas, ele será submetido a uma cirurgia para tentar corrigir o problema”, explicou Aldershof.
A cirurgia, apesar de desafiadora, traz um prognóstico relativamente favorável para o retorno do ciclista. Inicialmente, ele ficará afastado das competições por cerca de seis semanas e não poderá realizar atividades físicas intensas.
Durante esse período, sua recuperação será cuidadosamente monitorada para que, no momento adequado, ele possa retomar os treinos e reconstruir gradualmente sua intensidade.
A condição, conhecida como endofibrose da artéria ilíaca externa – ou FLIA (Flow Limitation of the Iliac Artery) –, ocorre quando o fluxo sanguíneo para as extremidades inferiores é comprometido devido ao estreitamento ou torção das artérias na região do quadril e virilha, especialmente durante atividades físicas intensas. Embora, em 90% dos casos, a artéria ilíaca externa seja a afetada, em algumas situações a ilíaca comum ou a femoral comum também podem ser comprometidas.
Quem sofre com essa condição pode experimentar uma variedade de sintomas, como dor, formigamento e inchaço nas coxas e panturrilhas, e, menos frequentemente, na região dos glúteos.
“É, sem dúvida, um revés mental, mas agora que identificamos a causa, tenho esperança de que a cirurgia resolva o problema”, comentou Jakobsen. “Às vezes, é preciso dar um passo atrás para poder avançar com mais força, e é isso que pretendo fazer agora.”
“Tive uma boa preparação neste inverno e entrei na temporada com confiança. Conseguimos alguns resultados entre os dez melhores no UAE Tour e no Paris-Nice, mas nos momentos decisivos, durante os sprints de alta intensidade, senti que minhas pernas não estavam respondendo como deveriam.”
Outros ciclistas, como Bob Jungels (Ineos Grenadiers) e Pauline Ferrand-Prévot, também já enfrentaram essa condição. Um estudo publicado em 2022 chegou a sugerir que essa enfermidade seja classificada como uma doença ocupacional para ciclistas profissionais.