Lennard Kämna retornou às competições profissionais na Volta a Catalunya.
Lennard Kämna afirmou que, inicialmente, sentiu-se "desconfortável" ao ser ultrapassado por veículos durante seu retorno aos treinos, depois de retomar as atividades após sofrer lesões decorrentes de ter sido atropelado por um motorista em Tenerife, no último mês de abril.
O alemão de 28 anos ficou internado por dois meses após o incidente e revelou ter sofrido diversas fraturas. Ele migrou para a equipe Lidl-Trek na intertemporada, saindo da Red-Bull-Bora Hansgrohe, e competiu pela primeira vez desde a colisão, na Volta a Catalunya.
Em entrevista recente ao The Cycling Podcast, Kämna relatou que sentiu uma ansiedade considerável ao voltar a treinar nas estradas, afirmando que o acidente o deixou mais atento à imprevisibilidade do trânsito e aos demais usuários das vias.
"Nas primeiras uma ou duas semanas, o barulho dos muitos carros me deixava desconfortável", disse. "Da primeira vez que saí, tudo parecia natural, mas eu estava, sem dúvida, mais cauteloso. Agora, posso dizer que me sinto completamente normal no trânsito novamente. Contudo, estou muito mais atento aos carros que se aproximam de frente ou que surgem de algum ponto. Sempre fico olhando mais para a direita e para a esquerda para ver o que estão fazendo, se me notaram ou não."
"Acabei tendo muita sorte por estar aqui hoje e poder voltar a praticar esporte profissional, é algo simplesmente incrível", completou.
Kämna explicou ainda que não tem memória do momento do acidente e que acordar no hospital, onde passou por uma cirurgia, foi um choque enorme na época.
"Eu não sabia por que estava no hospital", relatou. "De repente, me vi lá e demorei muito para entender o que havia acontecido, para perceber que aquilo não era um sonho, mas a realidade. Acho que acabei quebrando 11 ou 12 ossos no total. Fraturei sete ou oito costelas, a escápula, um osso do rosto e, basicamente, era isso."
"Passei quatro semanas em um hospital em Tenerife e outras quatro semanas em um hospital em Hamburgo, na Alemanha. Realmente, não foi um período fácil. Nunca havia passado uma noite em um hospital antes, então tudo era novidade para mim. Eu só queria sair dali o mais rápido possível."
O natural de Wedel, de 28 anos, contou que precisou se basear nos depoimentos de testemunhas para montar o que exatamente aconteceu em Tenerife, nos momentos que antecederam o atropelamento.
"Eu não tenho nenhuma lembrança [do acidente] mesmo", explicou. "Eu estava descendo uma ladeira e, de repente, um carro surgiu, passou por cima de mim — indo para um estacionamento ou para outra estrada, não sei dizer exatamente — e acabei colidindo com ele."
"Sempre me pergunto: quanto tempo leva para um carro atravessar uma estrada? Talvez um ou dois segundos. Foi justamente esse período que eu tive para reagir ou não. Basicamente, não houve tempo nenhum. Quando penso nisso, não havia muito o que eu pudesse ter feito, foi pura má sorte."
Kämna deverá continuar sua retomada na Tour of the Alps, marcada para abril, uma prova que já lhe rendeu sucessos anteriores, incluindo duas vitórias de etapa em 2022 e 2023.